Só os destemidos viajantes dão vida aos sonhos e cor ao mundo.

Ontem, João sonhou e guardou o sonho que, de tão belo, não conseguiu esquecer jamais. 

Acordou, lembrou-se de uma casa que havia remodelado há pouco, e proferiu:

-"Era aquela a casa, mas não era a mesma..."

Lá ao fundo de um sonho, antecedido por um terrível pesadelo, ele recordou ter visto sua obra, mas diferente. Mais brilhante. Mais bonita. Mais viva. Correu a pedir autorizações para voltar ao projeto, outrora terminado. De casa a monumento- uma luta. Um túnel que poderia ou não ter luz. Um risco que estava disposto a correr.

Podia ter acordado a seguir ao pesadelo e não ter visto o erguer desta nova fase- podia- mas não o fez. Podia-se ter esquecido do sonho ao acordar- podia- mas não esqueceu. Podia tê-lo ignorado- podia- mas não ignorou, porque também podia ter na vida o sonho de viver e de dar vida ao mundo.